Guia de compra

Como escolher um MDM para Android

Escolher uma plataforma de gestão de dispositivos é uma decisão que costuma durar anos: migrar depois significa reprovisionar cada aparelho em campo. Este guia percorre os 13 critérios que mais decidem essa escolha e, em cada um, sugere as perguntas que vale fazer a qualquer fornecedor — inclusive a nós.

1. Segurança

Um MDM concentra poder administrativo sobre toda a frota: quem controla o console consegue apagar, bloquear e localizar aparelhos. Por isso, a segurança do próprio produto importa tanto quanto os recursos que ele oferece. Olhe criptografia em trânsito e em repouso, isolamento entre clientes na mesma plataforma, autenticação em dois fatores para administradores e trilha de auditoria de cada comando executado.

Pergunte ao fornecedor

  • Existe trilha de auditoria de comandos administrativos, com autor, data e resultado?
  • A plataforma suporta MFA e perfis de permissão granulares (RBAC) para a equipe de TI?
  • Como é feito o isolamento entre os dados de clientes diferentes na mesma infraestrutura?

2. Android Enterprise

Android Enterprise é o conjunto oficial de APIs do Google para gestão corporativa. Soluções construídas sobre ele — em especial sobre a Android Management API (AMAPI) — não dependem de acesso root nem de agentes invasivos, e acompanham as mudanças de segurança de cada versão do Android. Verifique quais modos o fornecedor suporta de fato: totalmente gerenciado, perfil de trabalho, COPE (corporativo com perfil pessoal) e dispositivo dedicado/kiosk.

Pergunte ao fornecedor

  • A gestão é feita via Android Management API ou por um agente proprietário legado?
  • Quais modos de propriedade são suportados: fully managed, work profile, COPE e dedicado?
  • A plataforma é reconhecida no programa Android Enterprise do Google?

3. Enrollment (provisionamento)

Enrollment é a etapa em que o aparelho entra sob gestão, e costuma ser o maior gargalo operacional em frotas grandes. Métodos como QR Code, Zero-Touch e programas de fabricante (por exemplo, Samsung Knox) permitem que o dispositivo saia da caixa já configurado. A pergunta prática é quanto tempo e quanto trabalho manual cada aparelho consome.

Pergunte ao fornecedor

  • Quais métodos são suportados: QR Code, Zero-Touch, NFC, EMM token, programas de fabricante?
  • É possível reprovisionar um aparelho remotamente, sem passar pelas mãos do time de TI?
  • Quanto tempo leva o provisionamento de um lote de 100 aparelhos na prática?

4. Modo kiosk

Modo kiosk trava o dispositivo em um app ou um conjunto restrito de apps — essencial para totens, PDVs, coletores de logística, tablets de autoatendimento e equipamentos compartilhados. A diferença entre plataformas está no nível de customização: bloquear a barra de status, definir apps permitidos, controlar volume e brilho, exibir uma marca própria e impedir que o usuário saia do modo.

Pergunte ao fornecedor

  • O kiosk permite múltiplos apps e uma tela inicial customizada com a nossa marca?
  • Dá para bloquear barra de status, botões físicos e configurações do sistema?
  • Como o dispositivo se recupera se o app do kiosk travar ou for desinstalado?

5. Gestão de aplicativos

A distribuição de apps é o que mantém a frota funcional no dia a dia. Verifique se o fornecedor integra o Managed Google Play (catálogo corporativo), se permite publicar apps internos (privados), se controla versões e atualizações automáticas e se consegue bloquear a instalação de apps fora do catálogo.

Pergunte ao fornecedor

  • Há integração com Managed Google Play e suporte a apps privados da empresa?
  • Dá para fixar uma versão específica de um app e controlar quando ela atualiza?
  • É possível bloquear instalações fora do catálogo aprovado?

6. Gestão remota

Quando um aparelho some, quebra ou é usado de forma indevida, a equipe precisa agir sem ter o aparelho em mãos. Os comandos mais usados são bloqueio, wipe (total ou só do perfil de trabalho), reinício, modo perdido, redefinição de senha e localização. Além dos comandos, avalie se existe acesso remoto à tela para suporte — e como o consentimento do usuário é tratado.

Pergunte ao fornecedor

  • Quais comandos remotos existem e todos ficam registrados em auditoria?
  • Existe visualização ou controle remoto de tela para suporte? Em quais dispositivos?
  • O wipe consegue apagar apenas os dados corporativos, preservando os pessoais no BYOD?

7. APIs e automação

Sem API, todo processo vira trabalho manual no console. Uma API bem documentada permite automatizar admissão e desligamento de funcionários, sincronizar o inventário com o ERP ou o ITSM e gerar relatórios sob demanda. Verifique também se existem webhooks para eventos (aparelho fora de conformidade, bateria crítica, saída de geofence).

Pergunte ao fornecedor

  • A API é pública e documentada? Cobre os mesmos recursos do console?
  • Existem webhooks para eventos, ou só consulta por polling?
  • Há limites de requisições que possam atrapalhar uma sincronização diária?

8. Escalabilidade

Uma plataforma que funciona bem com 50 aparelhos pode ficar lenta com 5.000. Pergunte sobre o maior cliente em produção, como a plataforma organiza grupos e políticas em escala e se ações em massa (atualizar política em 3.000 aparelhos) são executadas em lote ou uma a uma. Para quem administra várias empresas, arquitetura multi-tenant faz diferença real.

Pergunte ao fornecedor

  • Qual é a maior frota em produção hoje na plataforma?
  • Como funcionam grupos, herança de políticas e ações em massa?
  • A arquitetura é multi-tenant, permitindo gerir clientes ou filiais separadamente?

9. Preço e modelo de cobrança

Boa parte do mercado de MDM não publica preço e trabalha com venda consultiva, o que dificulta comparar. O preço de lista é só uma parte: verifique se a cobrança é por dispositivo ou por usuário, se há mínimo contratado, taxa de onboarding, custo de módulos adicionais e o que acontece com aparelhos inativos. Compare o custo mensal total para o seu tamanho de frota, não o valor por dispositivo isolado.

Pergunte ao fornecedor

  • A cobrança é por dispositivo ou por usuário? Existe mínimo mensal?
  • Há taxa de implantação, treinamento ou módulos cobrados à parte?
  • Aparelhos desativados continuam sendo cobrados até o fim do ciclo?

10. Suporte

Suporte só é percebido quando algo dá errado — e aí o idioma, o fuso horário e o SLA passam a valer mais que qualquer recurso do produto. Verifique canais disponíveis, tempo de resposta contratual por severidade e se o atendimento é feito por quem conhece a plataforma ou por um primeiro nível genérico.

Pergunte ao fornecedor

  • Qual é o SLA de primeira resposta e de solução, por nível de severidade?
  • O suporte atende no nosso idioma e no nosso fuso horário?
  • Existe onboarding assistido ou um técnico de referência para a conta?

11. Conformidade e privacidade

Um MDM trata dados pessoais — localização, identificadores de aparelho e, em alguns casos, uso de apps —, o que o coloca sob a LGPD no Brasil e o GDPR na Europa. Certificações auditadas por terceiros, como SOC 2 Tipo II e ISO 27001, dizem mais que uma declaração de conformidade no site. Verifique também onde os dados ficam hospedados e se o fornecedor assina um acordo de tratamento de dados.

Pergunte ao fornecedor

  • Vocês têm SOC 2 Tipo II ou ISO 27001 vigentes? Podem enviar o relatório?
  • Em que país os dados ficam hospedados e por quanto tempo são retidos?
  • Vocês assinam DPA e conseguem atender pedidos de titulares (acesso, exclusão)?

12. Relatórios e visibilidade

Sem relatório, não há como provar conformidade nem justificar investimento. Avalie se a plataforma mostra inventário completo (modelo, versão de Android, patch de segurança), quais aparelhos estão fora de conformidade, uso de dados e bateria, e se dá para exportar tudo isso ou agendar envio automático.

Pergunte ao fornecedor

  • Quais relatórios vêm prontos e quais precisam ser construídos?
  • É possível exportar em CSV ou consumir os dados por API?
  • Por quanto tempo o histórico fica disponível para consulta?

13. Integrações

O MDM raramente é o único sistema envolvido. Integração com o diretório de identidade (Google Workspace, Microsoft Entra ID) evita cadastro manual de usuários; integração com ITSM abre chamados automaticamente; e, em ambientes que já usam outra plataforma de gestão, a possibilidade de coexistir evita uma migração de tudo de uma vez.

Pergunte ao fornecedor

  • Há integração nativa com o nosso diretório de identidade e SSO?
  • A plataforma conversa com o nosso ITSM ou com ferramentas de segurança?
  • É possível coexistir com a plataforma que já usamos durante a transição?

Onde a Zonix EM se encaixa

A Zonix EM é uma das opções do mercado, e não a resposta certa para todo cenário. Para que este guia seja útil de fato, aqui está uma leitura honesta dos dois lados.

Costuma fazer sentido quando

  • A frota é majoritariamente Android e a gestão via Android Management API atende ao caso.
  • O time quer preço público por dispositivo e começar sem passar por um ciclo de venda consultivo.
  • A operação é de campo ou de loja e usa ponto/jornada e checkout de inventário no próprio aparelho.
  • Console e suporte em português, com dados hospedados no Brasil, são requisitos de fato.
  • A empresa revende ou administra o parque de vários clientes e precisa de multi-tenant com white-label.

Provavelmente não é a melhor escolha quando

  • A frota é multiplataforma e você precisa de iOS, macOS ou Windows em produção hoje — na Zonix EM, Apple e Windows estão em Beta Privado.
  • O processo de compra exige SOC 2 Tipo II ou ISO 27001 vigentes: ainda não concluímos essas certificações, elas estão no roadmap.
  • Você precisa de um plano gratuito permanente — trabalhamos com trial de 14 a 30 dias, sem versão free vitalícia.
  • A operação depende de hardware rugged específico com diagnóstico avançado de fabricante, terreno em que plataformas especializadas têm histórico mais longo.
  • Você precisa de um programa de canal formal em camadas, com verba de marketing e níveis de desconto definidos.

Informações sobre outros fornecedores citados neste guia vêm de pesquisa em material público e não foram confirmadas diretamente com cada empresa — confirme antes de decidir.

Perguntas frequentes

Qual é a diferença entre MDM e UEM?

MDM (Mobile Device Management) foca em smartphones e tablets. UEM (Unified Endpoint Management) amplia a gestão para notebooks, desktops e às vezes IoT em uma única plataforma. Se o seu problema hoje é só a frota móvel, um MDM costuma ser mais simples e mais barato que um UEM completo.

Preciso de Android Enterprise para usar um MDM?

Na prática, sim. O Android Enterprise é o caminho oficial do Google para gestão corporativa desde o Android 5.0, e soluções que dependem de métodos legados tendem a perder recursos a cada nova versão do sistema.

Quanto custa um MDM por dispositivo?

Os valores públicos do mercado variam aproximadamente de US$ 2 a US$ 10 por dispositivo/mês, mas boa parte dos fornecedores não publica preço e trabalha sob cotação. Compare sempre o custo mensal total para o seu tamanho de frota, incluindo mínimos contratados e taxas de implantação.

Dá para trocar de MDM depois?

Dá, mas costuma ser trabalhoso: na maioria dos casos é preciso remover a gestão e reprovisionar cada aparelho, o que significa tocar fisicamente na frota ou coordenar isso com as equipes em campo. É justamente por isso que vale investir tempo na avaliação inicial.

O que é modo kiosk e quando ele é necessário?

É o modo que trava o aparelho em um app ou conjunto restrito de apps. Faz sentido em totens, PDVs, coletores de logística, tablets de autoatendimento e qualquer dispositivo compartilhado em que o usuário não deve acessar o resto do sistema.

Compare as plataformas lado a lado

O comparador reúne 7 plataformas de MDM nos mesmos critérios objetivos, com a origem de cada dado indicada.

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