1. Segurança
Um MDM concentra poder administrativo sobre toda a frota: quem controla o console consegue apagar, bloquear e localizar aparelhos. Por isso, a segurança do próprio produto importa tanto quanto os recursos que ele oferece. Olhe criptografia em trânsito e em repouso, isolamento entre clientes na mesma plataforma, autenticação em dois fatores para administradores e trilha de auditoria de cada comando executado.
Pergunte ao fornecedor
- — Existe trilha de auditoria de comandos administrativos, com autor, data e resultado?
- — A plataforma suporta MFA e perfis de permissão granulares (RBAC) para a equipe de TI?
- — Como é feito o isolamento entre os dados de clientes diferentes na mesma infraestrutura?
2. Android Enterprise
Android Enterprise é o conjunto oficial de APIs do Google para gestão corporativa. Soluções construídas sobre ele — em especial sobre a Android Management API (AMAPI) — não dependem de acesso root nem de agentes invasivos, e acompanham as mudanças de segurança de cada versão do Android. Verifique quais modos o fornecedor suporta de fato: totalmente gerenciado, perfil de trabalho, COPE (corporativo com perfil pessoal) e dispositivo dedicado/kiosk.
Pergunte ao fornecedor
- — A gestão é feita via Android Management API ou por um agente proprietário legado?
- — Quais modos de propriedade são suportados: fully managed, work profile, COPE e dedicado?
- — A plataforma é reconhecida no programa Android Enterprise do Google?
3. Enrollment (provisionamento)
Enrollment é a etapa em que o aparelho entra sob gestão, e costuma ser o maior gargalo operacional em frotas grandes. Métodos como QR Code, Zero-Touch e programas de fabricante (por exemplo, Samsung Knox) permitem que o dispositivo saia da caixa já configurado. A pergunta prática é quanto tempo e quanto trabalho manual cada aparelho consome.
Pergunte ao fornecedor
- — Quais métodos são suportados: QR Code, Zero-Touch, NFC, EMM token, programas de fabricante?
- — É possível reprovisionar um aparelho remotamente, sem passar pelas mãos do time de TI?
- — Quanto tempo leva o provisionamento de um lote de 100 aparelhos na prática?
4. Modo kiosk
Modo kiosk trava o dispositivo em um app ou um conjunto restrito de apps — essencial para totens, PDVs, coletores de logística, tablets de autoatendimento e equipamentos compartilhados. A diferença entre plataformas está no nível de customização: bloquear a barra de status, definir apps permitidos, controlar volume e brilho, exibir uma marca própria e impedir que o usuário saia do modo.
Pergunte ao fornecedor
- — O kiosk permite múltiplos apps e uma tela inicial customizada com a nossa marca?
- — Dá para bloquear barra de status, botões físicos e configurações do sistema?
- — Como o dispositivo se recupera se o app do kiosk travar ou for desinstalado?
5. Gestão de aplicativos
A distribuição de apps é o que mantém a frota funcional no dia a dia. Verifique se o fornecedor integra o Managed Google Play (catálogo corporativo), se permite publicar apps internos (privados), se controla versões e atualizações automáticas e se consegue bloquear a instalação de apps fora do catálogo.
Pergunte ao fornecedor
- — Há integração com Managed Google Play e suporte a apps privados da empresa?
- — Dá para fixar uma versão específica de um app e controlar quando ela atualiza?
- — É possível bloquear instalações fora do catálogo aprovado?
6. Gestão remota
Quando um aparelho some, quebra ou é usado de forma indevida, a equipe precisa agir sem ter o aparelho em mãos. Os comandos mais usados são bloqueio, wipe (total ou só do perfil de trabalho), reinício, modo perdido, redefinição de senha e localização. Além dos comandos, avalie se existe acesso remoto à tela para suporte — e como o consentimento do usuário é tratado.
Pergunte ao fornecedor
- — Quais comandos remotos existem e todos ficam registrados em auditoria?
- — Existe visualização ou controle remoto de tela para suporte? Em quais dispositivos?
- — O wipe consegue apagar apenas os dados corporativos, preservando os pessoais no BYOD?
7. APIs e automação
Sem API, todo processo vira trabalho manual no console. Uma API bem documentada permite automatizar admissão e desligamento de funcionários, sincronizar o inventário com o ERP ou o ITSM e gerar relatórios sob demanda. Verifique também se existem webhooks para eventos (aparelho fora de conformidade, bateria crítica, saída de geofence).
Pergunte ao fornecedor
- — A API é pública e documentada? Cobre os mesmos recursos do console?
- — Existem webhooks para eventos, ou só consulta por polling?
- — Há limites de requisições que possam atrapalhar uma sincronização diária?
8. Escalabilidade
Uma plataforma que funciona bem com 50 aparelhos pode ficar lenta com 5.000. Pergunte sobre o maior cliente em produção, como a plataforma organiza grupos e políticas em escala e se ações em massa (atualizar política em 3.000 aparelhos) são executadas em lote ou uma a uma. Para quem administra várias empresas, arquitetura multi-tenant faz diferença real.
Pergunte ao fornecedor
- — Qual é a maior frota em produção hoje na plataforma?
- — Como funcionam grupos, herança de políticas e ações em massa?
- — A arquitetura é multi-tenant, permitindo gerir clientes ou filiais separadamente?
9. Preço e modelo de cobrança
Boa parte do mercado de MDM não publica preço e trabalha com venda consultiva, o que dificulta comparar. O preço de lista é só uma parte: verifique se a cobrança é por dispositivo ou por usuário, se há mínimo contratado, taxa de onboarding, custo de módulos adicionais e o que acontece com aparelhos inativos. Compare o custo mensal total para o seu tamanho de frota, não o valor por dispositivo isolado.
Pergunte ao fornecedor
- — A cobrança é por dispositivo ou por usuário? Existe mínimo mensal?
- — Há taxa de implantação, treinamento ou módulos cobrados à parte?
- — Aparelhos desativados continuam sendo cobrados até o fim do ciclo?
10. Suporte
Suporte só é percebido quando algo dá errado — e aí o idioma, o fuso horário e o SLA passam a valer mais que qualquer recurso do produto. Verifique canais disponíveis, tempo de resposta contratual por severidade e se o atendimento é feito por quem conhece a plataforma ou por um primeiro nível genérico.
Pergunte ao fornecedor
- — Qual é o SLA de primeira resposta e de solução, por nível de severidade?
- — O suporte atende no nosso idioma e no nosso fuso horário?
- — Existe onboarding assistido ou um técnico de referência para a conta?
11. Conformidade e privacidade
Um MDM trata dados pessoais — localização, identificadores de aparelho e, em alguns casos, uso de apps —, o que o coloca sob a LGPD no Brasil e o GDPR na Europa. Certificações auditadas por terceiros, como SOC 2 Tipo II e ISO 27001, dizem mais que uma declaração de conformidade no site. Verifique também onde os dados ficam hospedados e se o fornecedor assina um acordo de tratamento de dados.
Pergunte ao fornecedor
- — Vocês têm SOC 2 Tipo II ou ISO 27001 vigentes? Podem enviar o relatório?
- — Em que país os dados ficam hospedados e por quanto tempo são retidos?
- — Vocês assinam DPA e conseguem atender pedidos de titulares (acesso, exclusão)?
12. Relatórios e visibilidade
Sem relatório, não há como provar conformidade nem justificar investimento. Avalie se a plataforma mostra inventário completo (modelo, versão de Android, patch de segurança), quais aparelhos estão fora de conformidade, uso de dados e bateria, e se dá para exportar tudo isso ou agendar envio automático.
Pergunte ao fornecedor
- — Quais relatórios vêm prontos e quais precisam ser construídos?
- — É possível exportar em CSV ou consumir os dados por API?
- — Por quanto tempo o histórico fica disponível para consulta?
13. Integrações
O MDM raramente é o único sistema envolvido. Integração com o diretório de identidade (Google Workspace, Microsoft Entra ID) evita cadastro manual de usuários; integração com ITSM abre chamados automaticamente; e, em ambientes que já usam outra plataforma de gestão, a possibilidade de coexistir evita uma migração de tudo de uma vez.
Pergunte ao fornecedor
- — Há integração nativa com o nosso diretório de identidade e SSO?
- — A plataforma conversa com o nosso ITSM ou com ferramentas de segurança?
- — É possível coexistir com a plataforma que já usamos durante a transição?